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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ato I - A década na política.

Política: denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. (Wikipedia)

Gosto muito, quando da analise de textos e documentos, de buscar as palavras chave, e então mergulhar no contexto como um todo. Então, vamos! Ciência. Organização. Direção. Administração. Aham. Imaginem os políticos tendo ciência, só para começar. E depois organizados como uma empresa de verdade. Dirigir, ok, até dirigem, as vezes sem saber para onde, ou para interesses próprios, enfim. Aliás, vejo o político como um executivo que entra em uma empresa não para trabalhar para ela, mas sim para fazer currículo. Ele procura sempre desvalorizar o colega e tenta drenar para si todas as glórias. Suga tudo o que pode, faz nome e segue até conseguir um convite para uma organização maior. O político, pelo sistema eleitoral como é, não trabalha para o povo. Trabalha para fortalecer sua imagem, para favorecer seus patrocinadores, apoiadores, sempre custurando alianças e conchavos. A fórmula não permite que de certo.

A década da política brasileira passou por fatos interessantes. Dois líderes dominaram a cena, e foram bem, principalmente se comparados aos antecessores desastrosos. Tanto FHC, quanto Lula, embora em lados opostos do ringue, fizeram acontecer muita coisa sim. Mas foram mesmo só os líderes. Porque no resto, foi vexame atrás de vexame. Prefeituras cheias de esquemas, deputados mensaleiros, e senadores vergonhosos humilharam o Brasil, com seu povo sem sangue nem glória apático, "idiótico". Sem pulso, sem nada. Sempre cito o povo, porque para mim, é um dos maiores responsáveis pela vergonha que é nossa classe política. É o povo que vota, né? Dinheiro em meia, em cueca, parlamentares comprados, totalmente ignorantes, que não sabem nada sobre os assuntos sobre os quais votam (Tens dúvida disso? Assista o CQC). Os lideres lideraram, e colocaram sim o Brasil no cenário mundial. Favorecidos por conjunturas? Pode ser, mas estamos no cenário. E é isso que fica. Mas, claro que teve custo. Do PT só sobrou mesmo Lula, porque o partido certo, correto e único justo caiu por terra nos maiores escandalos de corrupção do Brasil. PSDB, de FHC, também não saiu ileso, muito menos o gigante sem cabeça PMDB. Idem para o resto todo. Foi assim que o Brasil foi. Bem de líderes, péssimo no resto.


Menos sorte tiveram os americanos. Estes viveram tempos humilhantes com um presidente vexatório, que não se cansou de fazer besteiras do início ao fim. Desde a eleição, que né. Sei lá. Não vou explicitar aqui. Vai que a CIA esteja monitorando a Artigolândia. Oito anos da era Bush arremessaram os EUA nos braços do fenômeno político da década. Barack Hussein Obama, o primeiro presidente negro, de discurso forte, de mudanças, um tsunami de popularidade mundial. Yes, we can. Não lembro de um político de qualquer país ser comemorado em todos os cantos do mundo. Inacreditável. Esperança, inicio de governo, é assim que Obama chega em 2010. Com a missão de tirar o império do buraco. Líderes em antagonia total, governando com seus pilares políticos amarrados, conservadores. E lá se vai a América, com um dos piores da história começando a década, e a maior esperança assumindo no apagar das luzes dos anos 2000.


Lá no velho mundo, quem diria, os líderes deixaram de ser tão importantes. Sarkozy, Angela Merkel, o super polêmico Berlusconi e cia ltda, quase que passam desapercebidos no contexto político da década. Nada muito grande aconteceu por lá depois do euro em 2002, e da fragmentada União Européia. Eles dividem a moeda, mas não as visões políticas. Os ricos europeus tiveram que acolher os pobres, e pagar a conta. Alguns protestos, alguns posicionamentos, apoios a um, a outro, discussões, euro, união européia, mas assim, personagem político, de fato, não. Ou podemos citar Tony Blair apoiando a guerra mentirosa do Iraque, né. E logo no velho mundo, logo na Itália, logo na terra do Senado Romano, um primeiro ministro agredido, no rosto. Caspita!

E então a América, Latina. Ou, Vermelha, Latina. Nós, assim como nossos vizinhos, quase todos, se renderam ao vermelho. A esquerda domina amplamente os latinos, dos mais aos menos radicais. Para ser ter idéia de quão vermelha está a Latina das Americas, o nosso, o Lula, está lá embaixo no medidor vermelho. Está quase no lado "direita"do termômetro que tem no lado vermelho o futuro ditador Hugo Chavez, da petrolífera Venezuela, Evo Morales, da Bolivia, o equatoriano Rafael Correa, e Fernando Lugo do Paraguai. A desastrada Cristina Kirchner que vem até cerceando a imprensa, e alguns outros, menos esquerda do Uruguai e cia. Avermelhou a tal ponto, que acendeu a luz amarela na América. A outra. E os EUA já começam a montar bases na aliada Colombia de Álvaro Uribe. Preocupante, eu diria, no mínimo, a situação da América Vermelha. Os vermelhinhos que se comportem, porque né, Fidel foi, mas outro Castro ficou, e a pobre ilha, coitada, cada vez mais miserável naquele modelo utópico falido e decadente. Só espero que a América, a nossa, não se abrace nessa...





Mas tem mais por aí. Os doidos Mahmoud Ahmadinejad do Irã, e o ditador Kim Jong II da Coréia do Norte só querem é saber de bombas atômicas. Que beleza, o do Irã chegou a negar o holocausto. Nem sei porque eles estão aqui, na retrospectiva da política, já que de políticos eles não tem muito, mas enfim. E os super emergentes não poderiam ficar de fora. China e India, os gigantescos países com bilhões (bilhões) de habitantes tiveram importantíssimas decisões políticas. Abriram suas economias e decolaram rumo ao crescimento sem limites. Bagunçaram a economia mundial, definiram outra era com seus exércitos de consumidores e operários intermináveis com custos baixos. É tempo dos titãs. A Rússia, um dos BRICs que assombram os velhos donos da economia mundial conheceu Putin, um presidente marcado pela repressão aos movimentos separatistas. E ela vem crescendo também.





E assim roda o mundo, com seus políticos definindo tudo. Os homens que comandam o circo do mundo nem sempre desempenham o papel de malabaristas, de domadores de feras, de mágicos criadores de esperança ou de leões que reinam na selva. Muitos se salvam, mas muitos acabam mesmo é fazendo o papel de palhaços. E por aqui ficamos, no quesito política, em ano de eleição!

E com a palavra, como combinado, meu contra-ponto, Daniel.

Ah, e desculpem-me os palhaços, talentosos artistas, por serem comparados com alguns políticos...




Vira virou.

Aqui e acolá. Virou. E virou tudo. E virou de cabeça para baixo. O que era pobre cresceu, o que era rico cambaleou, e virou. Virou o ano, virou a década, a Terra girou, o porco espirrou, o verde virou cinza, o euro é dolar, as bolhas estouraram, e os bolhas também. Virou 2009. Encerrou-se um ciclo. Uma década. Uma década maluca, de guerras postiças e de símbolos derrotados por aviões. De heróis portadores de esperança, e de anti heróis cheios de nada. O mundo entra doidão em 2010. Muita coisa aconteceu. Alguns dizem que essa década mudou o mundo. Até discordo. Porque, né, sempre muda. Toda década muda. Algumas mais, outras menos, porém alguma coisa sempre muda. Ok, essa mudou bastante. Então, até discordo, mas até concordo. Essa década mudou o mundo.

Veremos o que vem agora, então, após essas mudanças todas. É, o tempo de retrospectiva, na verdade, é antes da virada. Mas dezembro é dezembro, não há tempo para nada, estamos resolvendo as pendências do ano, pensando nos passos futuros, e aí sim, depois do balanço final, entre passado, presente e futuro é que fica claro que é importante mesmo. Então é agora que vamos rever, comentar e espalhar por aí as opiniões do que ficou dessa década que viu de tudo um pouco. A partir de hoje iniciamos aqui na Artigolândia a temporada de retrospectiva, dividindo por assuntos principais.


Aqui, no Brasil, quase tudo deu certo. Se é conjutura global, se é sorte, se foi o Lula, se foi herança do FHC, isso nem tem lá muita importância afora a política. O fato é, o Brasil cresceu. Já não é mais um menino na beira do rio. O verde e amarelo está abrindo espaço, se tornando um país de importância global como nunca foi, e tem condições de mais. Isso se o povo, os políticos, as leis e o judiciário ajudarem, claro. O povo não foi o primeiro citado por acaso. Não foi. Mas que o jogo virou, ah virou. E estamos do lado de cima. Mas o Brasil também alagou, teve conquistas no esporte, e tem até cinema próprio! Agora as empresas brasileiras é que fazem compras no mercado mundial! Ora!

E no globo. Se um sobe, outro desce. Então os países em desenvolvimento, Brasil, China, Rússia, Índia e cia sobem. E os EUA, boa parte da Europa, descem. Os grandões precisaram liberar cadeiras para os filhotes que eles criaram, colonizaram e deixaram aí, consumindo. Bom, economia é um dos tópicos que serão abordados. O fato é que agora o mundo é um só. A comunicação instantânea bagunçou geral, estressou geral, e todo mundo sabe de tudo. Ao mesmo tempo. Essa década viu a geração Y chegar ao mercado de trabalho, assistiu estarrecida o último aviso da natureza em tsunamis devastadores. Essa década, viu as torres em chamas, sentiu na pele as bolhas das .com e do setor imobiliário americano. Teve esperança com Obama, se descabelou com Bush, com a Coreia do Norte, com o Irã, e com a cara de pau da guerra do Iraque. E a poluição, os fiascos, as evoluções e os trambiques. Os personangens, e os comportamentos. Ah os comportamentos...

Enfim, temos muito o que falar. O presente é nosso, o passado já passou e o futuro está escondido. E como eu gosto de falar, mas também gosto de ouvir, e gosto que me convençam que estou errado, e gosto que reconheçam que estou certo, convidei o amigo e colega blogueiro Daniel para fazer o contra-ponto das opiniões aqui da Artigolândia.

Fogos ao alto, porque a Terra está girando mais rápido.

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