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sábado, 12 de setembro de 2009

Marmelada veloz

Nós somos brasileiros. Moramos no Brasil. Somos calejados, doutrinados, somos mesmo acostumados com essa doce especiaria regional portuguesa. A mais famosa vem de Odivelas, cidadezinha próxima a Lisboa. A marmelada é um puré de marmelo (abaixo) cozido com açucar em partes iguais. Portanto, muito, mas muito doce. Brasileiro gosta de doce. Gosta muito. Por aqui, quem se encarrega de produzir nossa marmelada são os goianos. É lá da Cidade Ocidental e de Luziânia que vem nossa marmelada. Branca ou vermelha, a marmelada faz parte do dia a dia aqui no nosso belo e cheio de frutas Brasil.

Mas como nosso país é um dos mais criativos de mundo, e outras coisinhas mais, a marmelada no Brasil tem outras muitas fontes. Brasília, por exemplo, não cultiva a fruta mas é uma das maiores produtoras mundiais de marmelada. Inclusive pizza de marmelada é bem comum por lá, em certos estabelecimentos. Mas não fica restrito a capital nacional não. Praticamente toda a cidade tem um grupo de pessoas que trabalha com marmelada. Então estamos bem acostumados. O Brasil tem algumas atividades esportivas que até vai bem. Vai bem sim. Algumas até domina. Mas também nesse assunto de certa forma estamos acostumados a apreciar o doce português. Principalmente no esporte nacional, regido por uma entidade sediada lá no Rio dos Janeiros. Então que o torcedor assiste aos jogos tomando sua cervejinha e comendo marmelada sentadinho no sofá. Até aí tudo normal.

Mas tem alguns esportes que são mais individuais, regidos por entidades internacionais e tudo mais. E tem brasileiros que são, e principalmente que foram realmente ícones mundiais. E lá vem a Fórmula 1, a mais importante modalidade mundial de velocidade. Por lá o Brasil já foi muito importante. Hoje é menos, bem menos. Mas continua presente mantendo alguma posição. O grande problema é que somos viciados em marmelo. Então um dos nossos pilotos que nem chega a ser importante, mas é filho de um dos mais importantes pilotos brasileiros e do mundo, resolve participar de uma marmelada veloz. Bateu, de propósito, seu carrinho em uma curva. Por ordem da equipe, que queria o safety car na pista. É claro que o círculo da F1 não tem só bobos, então logo começaram a perceber e comentar que aquele acidente estava estranho, e nosso marmelão abriu a boca, explodiu a equipe dele, e ainda saiu com um acordo de que não seria punido.

Alô Nelsinho, marmelada na F1, por favor, que mal gosto! Escolha outra especiaria... Vá produzir champanhe como seu pai, não marmelo...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Entra 7, sai 14.

Fazem alguns anos, na verdade não muitos, que declararam a Independência do Brasil. Comparado a outras nações, o nosso país é um jovem adolescente ainda lidando com as espinhas no rosto. E jovem tem lá as suas características. Discute, desobedece, briga, esperneia, faz pirraça, faz festa em véspera de prova, e todas aquelas coisas que todos nós já fizemos.

O jovem também é inocente, empreendedor, sonhador, irresponsável e imprevisível. Então que desde 7 de setembro de 1822 o Brasil iniciou sua caminhada para ser um país. Sim, porque se nós como seres humanos complexos e com uma construção divinamente perfeita que somos demoramos vários anos para chegarmos a um certo grau de coerência... E mesmo assim está cheio de tiozão fazendo tudo errado... Imagina o país todo, formado por essa tribo toda aí, desde o dia 7, gritando ao vento: Independência ou Morte. Pobre Brasil, Independência ou Morte. Até nossa independência foi uma peça teatral. E aí ficamos furiosos quando deputados dançam em plenário comemorando mais uma impunidade. Ou senadores , ou presidentes, ou todos esses aí encenando ao povo gado. Desde sempre, no Brasil entra 7 e sai 14. Chegam espelhos, sai ouro. Chegam chips de computador, saem cargueiros de minério. No Brasil da Independência ou Morte, entra 7 e sai 14.

As vezes me pego pensando que somos o que somos porque somos apenas um país jovem, tentando achar seu creme para espinhas, e tentando conquistar a coleguinha da escola. Mas temos algumas diferenças de outros grandes países. Nosso 7, veio fácil. Não foi um sangrento 4 de julho. Nem passamos por invasões, nem tivemos que defender nossa bandeira. O Brasil não suou. Além de sua formação, composta com o objetivo de servir de celeiro de riquezas e não de ser um país de verdade. Não tivemos que erguer o escudo, nem usar a espada. Nosso 7 foi teatral, e nenhuma gota de sangue foi derramada. Veio fácil, para sair fácil. Nossa bandeira é colorida e bonita, mas ela custou pouco ao povo. E tudo que custa pouco, tem pouco valor. E aí que somos jovens, bobos e inocentes, mas sem a rebeldia, sem o sangue quente. Aí que temos alguns ingredientes dos jovens, mas outros não. Somos um jovem sem pai. Tem mesada, mas só tem mesada, não vai ter salário. Melhor pagar a mesada, e não ter que pagar salário. Melhor receber a mesada, já que ter salário da muito trabalho. O Brasil precisa crescer. Brigar, lutar.

O brasileiro ganhou uma mina de riquezas, ganhou assim de graça. Com o compromisso de permitir que ela continuasse a ser explorada. E assiste conformado ao próprio teatro, porque afinal de contas, o 7 veio de graça. Desde que entrem 7, e saiam 14.
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