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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um sopro...


Apenas um sopro. E o velho mundo não consegue mais voar.

No nosso planeta, a vida é assim. Acontece, quando ele permite. Se ele não permite, não existimos. Toda nossa maravilhosa tecnologia é uma falsa segurança. É uma falsa impressão que o planeta é nosso, e dele fazemos o que bem entendermos. Não. Não é. Nós é que pertencemos ao planeta, e ele é quem diz o que pode e o que não pode. Nossa tecnologia hoje permite quase tudo. Nossa expectativa de vida aumenta cada vez mais, nós podemos chegar a qualquer cantinho do planeta rapidamente, nos comunicamos e sabemos de tudo instantâneamente. Tudo isso nós podemos. Desde que, claro, a Terra assim permita.

A nossa tecnologia toda funciona perfeitamente bem em condições normais de temperatura e pressão. A energia nos permite morar onde quisermos, temos luz, temos água, podemos armazenar comida e falar com quem quisermos, em qualquer tempo em qualquer lugar. Também podemos ir e vir rapidamente de qualquer ponto do planeta Em condições normais de temperatura e pressão.

Um vulcão em erupção é uma das mais impressionantes manifestações de força da natureza. É impactante, bela e incontrolável. É um sopro quente que nos faz correr o mais longe possível, nos impede de voar, e ainda define a que distância precisamos ficar da irada montanha. Apenas um sopro, na Islândia, e quase toda a europa perde sua mobilidade, deixa de voar. A nossa tecnologia não tem vez contra a força da natureza, nas suas diversas manifestações. Um vulcão em erupção é uma manifestação natural, talvez uma manutenção, uma resultante do "modos" do planeta existir. Podemos de alguma forma ter colaborado com isso? Talvez algum teste nuclear esquentando o que não deveria? Talvez. Mas com ou sem nossa participação vulcões sempre existiram e sempre irão existir. E da mesma forma outras manifestações da natureza sempre irão existir, independente da nossa existência ou não.

Mas o que impressiona mesmo, é a força e consequência de uma manifestação como essa. Quanto mais tecnologia temos, mais somos afetados, porque cada dia mais somos mais interligados e inter dependentes. Um acontecimento de grande monta reflete e repercute em todos os lugares, e atinge muito mais pessoas do que antigamente. Nesse caso, toda nossa tecnologia joga até contra, porque amplia o grau com que os eventos nos afetam. Com tecnologia ou sem tecnologia, com culpa ou sem culpa, a força da natureza é superior a tudo que conhecemos e pudemos criar até hoje. Essa força nos lembra, volta e meia, que nós é que pertencemos ao planeta. E não que ele nos pertence...


Imagens: Portal Terra.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

E o Rio chora...


Mais uma vez, assistimos ao festival de horror de uma enchente em uma cidade brasileira. Desta vez, a vítima foi o Rio. Mas poderia ter sido São Paulo, ou Santa Catarina, ou qualquer outro estado, e principalmente, qualquer grande cidade brasileira. Isso tem sido, e continuará sendo, motivo de tragédias cada vez maiores em nosso país. E porque? Bem, existem dois grandes motivos para o que está acontecendo, e o pior que ainda está por vir. O primeiro é o próprio clima, que está sim mudando e piorando, principalmente no que se refere a intensidades e situações extremas. A outra é a nossa falta de preparo para enfrentar tais situações, tanto no trabalho de base, a prevenção, quanto no trabalho de auxílio, pós evento.

O clima mudou, isso é fato inegável, e sem ser profeta do apocalipse. Mudou, está mais extremo, e será ainda mais já a curto prazo. Índices de chuvas de um mês inteiro precipitando em um dia, ventos cada vez mais forte, mudanças radicais em temperaturas, isso só para ficar no Brasil. Nem vamos abordar neste texto os tremores, tornados, tsunamis e tudo mais que tem assombrado o planeta em vários países.

Nas ocupações de risco como morros e regiões marginais e litorâneas, há de se ter prevenção e consciência do risco que se corre, e medidas de segurança devem ser tomadas. Com o clima como está, ter uma casa em um morro sujeito a deslizamentos é como morar ao lado de um vulcão. Pode não acontecer nada, mas também poderá acontecer, e essa consciência é necessária, e planos de emergência devem ser preparados e as pessoas treinadas.

Nas grandes cidades, planos diretores de utilização de superfície foram esquecidos. Hoje temos o solo impermeabilizado, a água não tem como escoar. E obras de canais, sim, eu sei, são as obras que via de regra patrocinam campanhas, porque são caríssimas. Mas essas obras são soluções posteriores ao problema já criado pelo excesso de superfície impermeabilizada. Quando você constrói sua casa, toda a água que seria absorvida pelo solo que antes era permeável, precisa escoar e ser absorvida em algum lugar, ou irá correr pelas ruas também impermeabilizadas arrastando tudo o que encontrar pela frente. Inclusive você, ou sua casa. Quem controla isso? O plano diretor da cidade. Ou deveria. Retiramos a condição natural da água escoar, agora, precisamos mostrar o caminho a ela, devolvendo superfície permeável, ou obrigando quem constrói a oferecer reservatórios compatíveis com a área impermeabilizada. Ou a água irá encontrar o caminho que lhe convier, e sem prestar atenção no que há pela frente.

Outro ponto é a preparação dos governos e agências para contornar um evento extremo já ocorrido. A defesa civil, precisará ser, e breve, uma secretaria forte, com dinheiro e pessoal para ser capaz de atender a essas demandas de grandes proporções. Talvez o exército precise estar acessível em determinadas situações. Especialistas, treinamentos. O que os governos ainda não entenderam, é que eventos como esses serão cotidianos, e alguns deles chegam a ser semelhantes a um pós-guerra, tal a natureza das devastações provocadas. É necessário profissionalismo no atendimento de fatores ambientais que são fatos irremediáveis a curto e talvez médio prazo.

Não adianta nada correr para todo lado sem saber o que atender primeiro. É preciso profissionalismo e consciência do que estamos enfrentando. É preciso planejar, treinar, disponibilizar recursos e pessoal. É preciso mais, muito mais do que temos feito. E é preciso que o trabalho de base, anterior a tragédia seja igualmente efetivo, eficiente, e cada vez mais cobrado pela população. Ou teremos carros anfíbios e casas flutuantes a venda no mercado, e logo.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É caldo


Dizem que sou meio bairrista. Eu até confesso algumas vezes, discuto outras, mas o fato é que depende. Depende da situação. Se defender você mesmo, sua cultura, sua casa, sua família e sua terra é ser bairrista... Sim, aí sou bairrista. Agora, quando dizem que o pôr do sol do Guaiba é o mais lindo do mundo, ah, aí eu não sou bairrista mesmo! Essa é uma das maiores idiotices que ouvi sobre Porto Alegre até hoje. Mais que isso só alguém dizendo que essa é uma cidade turística. Aham. Turística. E tem muitas outras dessas, afirmações alucinógenas que ecoam campo afora.

E um dos apelidos carinhosos que a Capitolândia recebe no verão é Forno Alegre. Isso também, de certa forma eu considerava um apelo parecido com o pôr do sol do Guaiba, porque afinal, são tantas as capitais mais quentes... Me parecia uma forçada de barra injustificada, típica de bairrista que acha que a sua cidade tem tudo, é onde acontece tudo, onde tudo é melhor e mais bonito, enfim. Então essa semana o tempo esquentou aqui pelo Sul. Esquentou, e esquentou pra valer! Ontem, 3 de fevereiro de 2010, tivemos a "honra" de poder oficializar, sem bairrismo nenhum, o apelido Forno Alegre. Precisamente as 11:22, Porto Alegre era a capital mais quente do mundo! Vou repetir, a capital mais quente do mundo! O site americano especializado no assunto, o AccuWeather registrou e divulgou esse transtorno da natureza. Ora, Porto Alegre é uma cidade de quatro estações, tem invernos rigorosos, e chegou a esse ponto no verão?

A sensação térmica foi superior a 44° C, teve comentarista de futebol que simplesmente apagou em pleno estádio devido ao calor. Por toda a cidade os termômetros extrapolaram números desconhecidos para os gaúchos, conhecidos pelo inverno rigoroso. Não contente com a força do sol, ainda tivemos o prazer de conhecer a madrugada mais quente desde o início das observações, em 1910. Esses 34° aí do lado são da Rua da Praia, antes do dia amanhecer! Caldo pouco, é brincadeira! Quero ver alguém vim aqui dizer, que lugar de gaúcho é no meio da neblina e zero grau! O ar queima, o sol frita, sem ar condicionado o cérebro não funciona, e não tem nem como pegar o cavalo e rumar à outro rincão, sob pena de virar gaúcho assado em brasa.


Forno Alegre, apelido certificado, e sem bairrismo algum. E ainda tem gente que diz que o aquecimento global é pirotecnia midiática. Uhum. Sela o cavalo e vem pra cá, então.




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Avisos...

Demorei.

Demorei para escrever sobre o Haiti, porque esses fatos me enlouquecem. Não posso nem mesmo ler muito a respeito, porque saio do sério. Terremotos tem acontecido ao longo da história, é verdade. Catástrofes naturais sempre aconteceram, é verdade. Agora sabemos muito rápido de todas essas coisas, é verdade. Mas apesar de tudo isso, está diferente. Esse tipo de acontecimento está sim, diferente. Eles ocorrem semanalmente. Trocam de país, de povo, mas acontecem. Alteram as porporções e consequências, mas acontecem semanalmente. E chega cada vez mais perto. Não de mim. De todos. Porque como pipoca na panela, não se sabe qual a próxima a estourar. Não se sabe qual a próxima cidade que vai ser alagada, que vai tremer, que vai queimar com temperaturas absurdamente altas, ou que vai congelar inteira a ponto de quase parar tudo. Não se sabe qual ponte o rio vai levar, ou qual praga nova vai aparecer.

Os sinais não cansam de chegar, e nós não cansamos de ignorar. E o Haiti que já era um país em delicadíssima situação, com uma história complicada demais, está agora completamente destruído. E o mundo ainda não se deu conta, nem os governos, nem as cidades, que a defesa civil, o exército e tudo mais que temos disponível em termos de apoio precisa ser treinado, equipado e estar alerta para ajudar o mais rapidamente possível os futuros soluços da natureza. Porque na redenção, pelo menos a médio prazo, eu já não acredito mais. Os soluços do planeta vão continuar, e nossas cidades irão sim ruir, um pouco cada uma, uma de cada vez. Nada de fim do mundo. Mas o fim de muitas pessoas, e de seu mundo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Enquanto isso, na sala de justiça...

Saudades eu tenho! Muitas saudades! Quando eu era bem pequeno, lá na Interiorlândia, um dos meus desenhos preferidos era a Liga da Justiça. Sim, sou do tempo que a gurizada tinha infância, brincava, via "filminhos"e até rodava de bikes pelas "pistinhas"da cidade. Então eu assistia a Liga da Justiça, desenho que reunia todos os super heróis daqueles inocentes tempos. Superman, Batman, Mulher Maravilha, Super Gêmeos e muitos, muitos outros. O desenho ia e voltava de um cenário para outro com uma chamada visual, sonora, e uma frase clássica, que nunca vou esquecer: "Enquanto isso, na Sala de Justiça..." e a cena ia para o quartel general dos super heróis. Lá eles traçavam suas estratégias, cada um com sua função, saiam e executavam o combinado e pronto, o mundo estava salvo! Que saudade dos Superamigos! Que saudade da Sala de Justiça! Que saudade da clássica frase... Porque eles não tinham interesses pessoais, ou da sua terra natal. O Batman não se preocupava em defender os interesses de Gotham City, nem o Superman de Kripton. Eles tinham uma só voz e um só interesse: Salvar o mundo!

E agora o mundo está em perigo. E logo no seu ponto mais crítico, o próprio planeta. No dia 18 de dezembro, está terminando a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que abrange 192 países. Os super heróis da nossa era, os que realmente mandam e determinam o futuro do mundo vão se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto. E é deles que dependemos. Eles estão lá, na Sala de Justiça, determinando o futuro do nosso planeta, portanto, o futuro da humanidade.

A grande questão sobre os nossos super heróis, é que eles não são superamigos. Nem entre eles, nem os países que eles representam, e o pior, não são superamigos da Terra. Então vai ser discutido muita coisa, e definido pouca coisa, e executado praticamente nada. Nada que realmente faça diferença. Porque eles são políticos, defendendo posições políticas individuais de seus países. Porque eles não estão defendendo o planeta. Estão defendendo seus interesses econômicos, e é por isso que nada vai acontecer. Hoje, com nossa evolução toda baseada em indústria e consumo sem grandes preocupações com o meio ambiente, cuidar do planeta é caro. Muito caro. E ninguém quer perder dinheiro. Dinheiro que não vai valer nada quando não tivermos mais planeta. Mas eles não acreditam nisso. E se acreditam, acham que não será agora, que viver isso é assunto pra um futuro distante, nem de seus filhos será. Os super heróis do nosso tempo não são heróis do planeta, eles lutam por interesses individuais, e após isso, se der para colaborar um pouco com o planeta, aí sim.

Então estão lá, todos eles, falando besteiras com discursos vazios, justificando sua falta de ação com mil desculpas e empecilhos, e nada acontecerá. A COP nem acabou, e eu já sei que nada irá mudar. E sei disso não porque tenho bola de cristal ou algo do tipo. Sei disso porque o conceito está equivocado. Ninguém foi para a Dinamarca salvar o planeta Terra. Todos foram para lá representar os interesses econômicos dos seus países. Pois bem. Azar deles, e infelizmente nosso também. Porque o planeta não conhece países, nem quem fez mais ou fez menos. A Terra vai cobrar a conta, e vai ser de todos. E aí, veremos muitos representantes de países, com bolsos cheios de dinheiro, em um mundo que o dinheiro mal serve como papel, e aí ficaremos todos com essa cara abaixo aí, olhando o mesmo que ele... Para nada! E o pior, não será sem saber o que fazer. Será com cara de sem ter o que fazer!




Saudades. Saudades da velha Sala de Justiça...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

2012

Então, que Nós da Terra agora estamos todos preocupados. Após anos, décadas de avisos e mais avisos que ficaram no vazio, agora resolvemos nos preocupar. E é tudo culpa do cinema. Esse cinema... Caramba, esse cinema é fogo! Resolveu colocar pânico no mundo todo. Filme após filme, o cinema vem plantando o terror na população. Seja com "ficção", seja com documentários de previsões de Nostradamus, ou com o calendário Inca, ou com a posição das pirâmides do Egito... E não é que todos dizem a mesma coisa? E aí vem o cinema, e pronto. Planta o medo.

E os piadistas vão a farra. Tiram onda dos "profetas do apocalipse", dizem que não pagarão mais dívidas por que o mundo vai acabar... E 2012 é prato cheio para todo mundo. Veículos de comunicação, programas de humor, tudo é notícia e assunto. É o tema da moda. Mas nosso cinema, apesar de colocar o terror em todo mundo, até que fez a lição de casa. 2012, o filme, é bastante fiel às previsões que andam soltas por aí já a bastante tempo. Bastante mesmo, não aninhos ou décadas. Bastante mesmo. E veio o mar, e veio vulcão, e tremeu tudo e afundou quase tudo. Nem os monges tibetanos escaparam, todo mundo engoliu sal. Ou terra. Ou nem nada viu. Mas o cinema fez a lição de casa. Não inventou. Seguiu a receita. Não aniquilou o mundo, nem foi bonzinho demais. Sobrou o que sobrou, o que era possível sobrar, e que se reconstrua tudo depois que a turma que escapou puder sair da Arca de Noé Volume II. Mais um pouco poderíamos creditar à Nostradamus o roteiro do filme 2012.
As imagens são fascinantes, impactantes, assustadoras e rigorosamente previsíveis dentro do nosso quadro. Quadro? É, nosso quadro de aquecimento global. Ih, lá vem outro profeta do apocalipse. É. É prato cheio para os piadistas. Curiosamente, no dia que fui assistir a esse grande enlatado americano, a Capitolândia vivia uma noite quase rotineira nos últimos tempos. Se formava uma tempestade daquelas meio imprevisíveis, onde talvez metade do país apague, talvez metade das grandes cidades não possam usar carros para andar nas ruas, ou então, uma chuva de árvores ameaça os carros novos comprados com redução do IPI este ano. Por sorte naquela noite nem choveu mais de 50mm, mas o arroio que separa minha casa do cinema estava com água pelo ombro. Não chegou no pescoço, mas já estava no ombro.

Aí, que no outro dia fui trabalhar, era um dia bonito e quente. Mas assim, um quente meio estranho, do tipo sensação térmica de 40 graus, estranho para essa época do ano aqui na Capitolândia. E o meio dia virou meia noite. Tudo escuro, árvores voando, o fundamental ar condicionado deixando de funcionar (eles precisam inventar algum que não precise de energia elétrica...), o trânsito daquele jeito, né. Deu saudade. Deu saudade do tempo em que eu ia para o cinema ver esse tipo de filme apocalíptico e só lembrava dele na mesa do almoço, quando quem viu abria a sessão comentários de cinema. Agora não mais. Agora eu vi o filme, e lembrei dele quando ia para casa, em meio ao temporal que se ocorresse só as vezes seria normal, mas como aqui já é semanal... E lembrei dele também no outro dia, e não na mesa do almoço com o pessoal, lembrei quando as nuvens fecharam o meio dia, também com ocorrência já semanal... E aí que já me imaginei correndo em direção ao sino. O sino, aquele do monge tibetano que toca de colina em colina, alertando à todos o que de nada adianta ser alertado. Até porque, né... O alerta já vem de tanto tempo, e não foi ouvido. Porque então teria algum sentido ele ser ouvido agora? Para quem já viu o filme, o negócio é mesmo ir guardando 1 bilhão de euros, certo? Para quem não viu, ou acha um pouco complicado conseguir 1 bilhão de euros, pode começar a pedir carona em direção às montanhas chinesas...








Ah, esqueci de comentar. Destas imagens aqui publicadas, 3 delas não foram retiradas do filme 2012. Foram retiradas do filme da nossa vida. São reais, aconteceram, e como vocês mesmo podem concluir, em nada deixam devendo ao cinema.

Esse cinema né, fica botando terror nas pessoas, tsc, tsc, tsc...

sábado, 24 de outubro de 2009

Computopia

Algumas previsões, entre tantas feitas, acabam se confirmando. A pequena imagem acima, tem 40 anos, e veio do Japão. 40 anos atrás, os japoneses vislumbraram a interação homem máquina, o avancó tecnológico controlado e a serviço da humanidade. Previsão ou delírio, boa parte se confirmou, ou está a caminho da confirmação. Estamos realmente evoluindo rápido com a robótica, com a inteligência artificial, e isso que nem temos a informação atualizada. Até pode ser paranóia minha, mas sempre imagino que estamos pelo menos 10 ou 20 anos defasados das descobertas de ponta. De ponta, eu quero dizer das pesquisas onde tudo realmente acontece, e certamente isso não é em laboratórios com endereço e CNPJ.

Deixando a paranóia de lado, é interessante ver uma previsão como essa, fazendo 40 anos de idade estar tão próxima da realidade. As vezes nos superamos em alguns fatores, talvez com alguma ajuda externa, talvez sozinhos, de qualquer maneira fica muito difícil saber alguma coisa aqui do lado de fora. Entende-se o que quero dizer com lado de fora, né? É fato que a ciência está voando rápido, nas questões que interessam, obviamente. Sim, porque a medicina só avança rápido mesmo em relação às doenças de massa, de grande volume de venda, de medicamentos. Nas de menor ocorrência, bem... Claro que não é só na medicina, em outras pontas tecnológicas é o mesmo caso. Ou alguém aí tem dúvida que já existem soluções para a substituição do petróleo à décadas? Ih, mas hoje esse artigoleiro está mesmo cheio de paranóias. Quem sabe. Talvez daqui a 40 anos possamos saber, assim como essa imagem japonesa nos mostrou sua perspectiva de realidade.

E se fossemos agora, neste fim de 2009, montar uma imagem de um momento 40 anos mais velho, que cara ele teria? Será que ele se pareceria como a imagem japonesa, mais aperfeiçoada, com computadores com cara de Steve Jobs, ou será que iremos para o lado contrário? Será mesmo que nossa meta será a evolução tecnológica, avanços, inovações? Ou teremos um novo ciclo, ou melhor, o retorno de um velho conhecido ciclo... Será que nossa sede pela "evolução" não acabou ferindo o maior dos organismos vivos que conhecemos? E se isso realmente aconteceu, e ao que tudo indica já aconteceu, quais serão as consequências? Talvez, e apenas talvez, a evolução que se espera de Nós não seja bem à relativa a computadores, máquinas e outros brinquedos. Ou talvez também seja, mas que essa evolução não pudesse nos fazer esquecer das demais, e principalmente, essa evolucão permitisse que o nosso maior organismo vivo, e a única razão da nossa existência continuasse sem ferimentos.
Tarde demais? Ainda não sabemos. Mas esse organismo, o maior deles, a Terra, tem nos avisado. Ou comunicado. Ou avisou, não adiantou, e agora está nos comunicando, com no mínimo um grande desastre natural por semana, que talvez nosso próximo desafio seja bem mais simples e ao mesmo tempo bem mais complexo, do que criar máquinas e subir arranhacéus.


Nós da Terra podemos imaginar que desafio seria esse?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Nós, da Terra

Existe uma grande confusão na relação do ser humano com o planeta Terra, que está muito antes do absurdo que temos feito com ele. A confusão é a pretensão com a qual nos referimos ao planeta: Nosso planeta. Nossa Terra. Nossa? Não, a Terra não é nossa. Nós é que somos do planeta Terra. Nós é que pertencemos a ele. Estamos aqui de passagem, e é uma passagem tão breve, tão ridiculamente pequena perto dos demais habitantes que já estiveram por aqui que chega a ser patética a nossa pretensão com relação à Terra.

Mil, dois mil, 5 mil, 10 mil anos e nada são exatamente a mesma coisa, para a medida de tempo do planeta. Nossa existência mal começou, e já fizemos tanta besteira que o planeta precisou tomar medidas imediatas com o ser humano. Imediatas sim, praticamente instantâneas no tempo da Terra. Nessa faísca de tempo que aqui estamos fizemos um estrago tão grande que colocou o próprio planeta em risco. Acelerou de forma absurda seus ciclos e agora vamos assistir as consequências da nossa total irresponsabilidade, prepotência e burrice.

O planeta azul perdeu a paciência, e qualquer observador com o mínimo de senso percebe o que nos espera logo ali na frente. Tsunami aqui, terremoto ali, furacão acolá, aquecimento global, degelo... Praticamente toda semana se observa alguma coisa fora da normalidade que conhecemos, os ciclos dessas manifestações da natureza estão cada vez menores. E a nossa fragilidade é tão gigantesca frente a uma manifestação do planeta que só vem a confirmar o quanto somos pretensiosos frente ao espaço maravilhoso que nos foi concedido para viver. Teorias e previsões catastróficas existem muitas. E muitas delas a curtíssimo prazo. É bem verdade que estamos falando do tempo do planeta, e o tempo do planeta pode ser uma eternidade para nós, seres humanos. Mas os sinais deixam claro que o acerto de contas está próximo, os sinais apontam para a reprovação do nosso comportamento ainda nessa geração. Não estou falando em fim do mundo em 50 anos, não é isso. Mas é bem provável que nossas preocupações deixem de ser dinheiro e poder a curtíssimo prazo, e passem a ser sobreviver com as dificuldades e manifestações ambientais que nós mesmos criamos (ou aceleramos violentamente). Já fica difícil dizer: Faça a sua parte. Talvez nesse momento isso fizesse algum sentido se fosse em uma reunião com todos os presidentes do mundo. Tenho minhas dúvidas se algo menor faria alguma diferença, neste estágio que nos colocamos.

Nós da Terra pisamos na bola. Nós da Terra fracassamos em cuidar da nossa própria casa. E cuidar significava apenas não estragar o que já era perfeito. E conseguimos estragar. Tudo. O que vem a seguir? Quem duvidar assista, porque infelizmente é bem provável que já na nossa geração as cobranças vão chegar.




Talvez ainda haja luz para o ser humano aqui na Terra, mas é apenas talvez. E um talvez bem pequeno, do tamanho da nossa existência por aqui...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A luz de velas...

Um ensaio sobre o mundo sem energia.

Antigamente, quando morava lá na Interiorlândia, eu adorava quando faltava luz. Se fosse dia, a aula parava. Se fosse noite, eu pegava o carro e sair por aí. Era uma sensação estranha, tudo apagado. Uma civilização sem reação. Não é a mesma sensação em um acampamento no meio do nada. Eu amava acampar também. O céu é maravilhoso em um acampamento. Quem nunca acampou não sabe, mas deveria buscar saber. Deveria conhecer aquele céu sem poluição visual. Aquela sopa exclusiva de estrelas com lua. É imperdível um céu de acampamento. Mas na cidade é diferente. Na cidade não ter luz é paradoxal, porque a cidade foi feita para ter luz. Ela não é preparada para ficar às escuras. Os cruzamentos com sinaleira que o digam... Ah, meu aquário também! E ontem faltou luz, então fui ensaiar...

Eu acordo. Meu despertador tem pilha. O celular já não me acorda mais. A bateria acabou, e não tenho aquele carregador que pluga no carro. Banho gelado ou esquentar água no fogão? Lavei o rosto e fui, fazendo de conta que a pergunta do banho nunca existiu. Saí mais cedo, já que não tem sinaleira, tem confusão. Mas não adiantou, acabei chegando atrasado do mesmo jeito. Quer dizer, na frente da empresa cheguei na hora. Mas não tem interfone, nem câmera, então, tive que esperar alguém se dar conta e buscar as pessoas lá fora...

Nas primeiras horas do dia fiquei confuso. Nas segundas horas também. Quase 50 funcionários e só um telefone, porque sem central... Os celulares todos também estavam sem bateria, então... Mas o estranho mesmo é tentar trabalhar. Tentar né. Porque a gente não pode receber nem enviar email. Precisa entrar na fila para receber ou fazer um telefonema. Ih, o tempo nublou, mal consigo ler o que estou escrevendo, em papel. Uma tarefa de 1 minuto, agora virou tarefa de 10 minutos. E pior, precisa dos 10 minutos cada vez que tiver a necessidade, não mais os 30 segundos do "Open File" - "Print File".

Está tudo estranho lá na empresa, as coisas parecem que não andam. As pessoas parecem estar de férias. Mas estão mais calmas, afinal as coisas não andam, mas as pessoas não tem culpa disso. O almoço é diferente. O restaurante parece mais chique. Tem todo um clima, tem velas. Engraçado, as pessoas estão com menos pressa. O silêncio é maior, mas as bebidas não são geladas. Gostei do almoço, eu sempre comi lentamente.

De tarde nada mudou. Tudo como de manhã. O inverno fez com que o turno terminasse um pouco mais cedo. É lindo dirigir na cidade apagada, sempre gostei. Os shoppings estão fechados, os bares com mais clima, mas estou cansado e vou para casa. Eu moro no décimo andar, então não preciso de academia. Também não tenho mais peixes para tratar, porque o aquário... O lanche ficou mais artesanal, e a conversa virou o prato principal. As velas são românticas, mas derretem rapidamente. Os assuntos vão terminando, tudo mais vai acontecendo, desenvolvendo, e as velas derretendo... E o relógio praticamente não passa. Agora sim, esquentar água, tomar aquela espécie de banho, e aí curtir o derreter das velas.

A contagem do tempo é diferente. É. Antes eu contava por minuto. Agora eu conto por hora. Antes eu tinha tanta coisa para fazer e nenhum tempo, e agora tenho tanto tempo que nem sei o que fazer. Então eu resolvi fazer o balanço do ensaio. Daquele ensaio, de imaginar o dia sem luz. Passei, repassei, pensei, repensei, e de tantos os problemas, dificuldades que encontraria, o que mais me fascinou foi o tempo. O tempo ficou mais lento. Até o planeta parece estar girando mais devagarinho, o dia está com mais de 24 horas, certamente. Antes eu precisava de 30, e ainda assim seria pouco. Agora me sobram 10. Já que completei todas as tarefas do dia, e a vela está acabando, vou dormir...





Ah, o último que sair, por favor, apague a luz...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

POA 40 graus.









Irmãos! Devemos ter nossa participação no sacrifício!

Desligue o ar condicionado, abra a janela e sinta a retribuição do planeta aos nossos cuidados para com ele...

Trabalhe arduamente, sem parar, tome bastante café e muito chimas, não abra a geladeira, esqueça os ventiladores, não ouse cometer o sacrilégio de entrar na piscina, sinta o sopro da natureza, abra os vidros do seu carro, use somente o ventilador, o ar puro e agradável das nossas belas vias asfálticas...

Não é uma maravilha?

Faça isso se você adora jogar garrafinhas plásticas na rua, se você ama jogar o toco de cigarro o mais perto possível da grama, ora ora, se você não dá bola para as queimadas nas matas, se adora uns casacos de pele bem reais, se acha que a madeira tem que vim mesmo boiando rio abaixo para produzir belos armários, se você apóia totalmente a utilização das margens dos rios pra plantar uns pezinhos de qualquer coisa vendável!

Você fica indignado com os alagamentos, que prejuízo absurdo seu carro alagando, seu motor indo pro espaço, a forração, os bancos... Mas você odeia aqueles pavimentos com pequenos blocos de concreto separados por grama, que inferno para os saltos altos! Troquem isso, façam de asfalto, concreto, impermeabilizem tudo! Por meu sapato!

Como assim uma bacia de contenção no prédio? Mas que custo é esse, vejam o preço dessa obra! Pra que isso! Não serve pra nada! Deixe a água que bate em nosso telhado ir para a rua, azar se antes de construirmos essa água penetrava no solo, é tão pouca área perto da cidade toda, não vai fazer direfença...

Então você considera o greenpeace um bando de loucos? Ah sim, então pegue um banquinho, vá até a esquina mais próxima composta por duas ruas asfaltadas, sente-se sob o sol, não beba nada, não use boné, óculos, apenas fique ali por algumas horas, sinta o bronzeado tomando conta de sua pele. De preferência sem camisa. Veremos então, quem é o louco...

Se você acha que a superpotência americana está certa em não assinar tratado nenhum de redução de poluição que cause alguma perda na sua impressionante indústria, ora, vá morar em Nova Orleans!!!

E tem gente que duvida que o “dente por dente, olho por olho" seja o mais perto da justiça...

Veja o olho, o olho do furacão, arrancando telhados e dentes americanos, em um estupendo aviso que não é ouvido, esse é o olho... E quando será a hora da cabeça toda?

E viva a natureza!!!

Por Rico, engenheiro civil, favorável ao progresso, mas a favor da vida, diretamente de Forno Alegre 40 graus, a cidade maravilha da beleza e do caos!
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