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domingo, 23 de maio de 2010

Lost, o penúltimo


E chegamos finalmente, ao dia de amanhã...

Jack. Ele foi, desde o início, o líder. O personagem das decisões, certas ou erradas, as decisões tomadas. Pessoalmente, eu o achava chato. Mas no fim, entre outros tantos que tentaram tomar frente na liderança do grupo, foi sempre Jack que tudo tentava consertar, e agora, no último episódio da melhor série que eu já vi depois de Friends, Jack será o responsável por "fixed this". Ou não?

O "brother"do Jacob conseguirá destruir a ilha através do Desmond? Ou será ele trazido de volta a condição humana pelas mãos especiais do mesmo Desmond. O personagem que sempre foi a constante da ilha se revela muito mais importante do que parecia. E Jack, tenho que admitir, termina como começou: O líder, o nome, o cara que decide. Já quase sem muito mais o que teorizar, já que está bastante claro (pelo menos para mim) que não será contada a origem da ilha, ou de sua luz, ou dos primeiros guardiões, nos resta descobrir como a ilha termina. No fundo do mar, em uma imensa explosão, ou segue seu caminho, com guardião após guardião. Com um novo Jacob (que já é Jack), talvez com um novo Richard, e talvez com um novo "Black Rock"ancorado na praia, e observado por Jack e new-Locke.

Fora isso, a realidade paralela, ou futura, ou seja lá o que ela representa, chegará a um termo final com a realidade da ilha, o que pode ser ou não ser uma surpresa. Mas isso tudo vamos saber, logo, ainda hoje, no final de Lost... Medo? Lost?


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lost, with the Brothers.


Brothers.

Para quem vinha na mesma linha já há algum tempo, trabalhando na construção e explicação do gran finale, Lost deu uma virada bastante significativa no episódio 15. E forte! Jacob, que teoricamente seria o zelador dos segredos da ilha, nada mais é do que uma vítima do acaso. Filho de uma pessoa comum, acaba escolhido por uma zeladora anterior para seguir na sua eterna função: Proteger, não se sabe do que, a luz que emana da ilha, e que movimenta o tempo e talvez as dimensãoes. E o Jacob-brother, que poderia ser uma espécia de "Caixa de Pandora", ou poder maligno aprisionado na ilha para que o mundo pudesse existir, nada mais é do que um dos candidatos para a substituição da antiga zeladora, que se rebelou. E com razão.


O episódio desconstrói Jacob como a solução do seriado, e o rebaixa a mais uma confusa peça nessa roda viva que parece que irá mesmo ficar sem resposta. Se sobre o mundo, que é o nosso mundo, pouco sabemos sobre a origem e seu desenvolvimento, porque a ilha deveria nos oferecer todas suas respostas? Não é o universo como um todo, um grande mistério cheio de teorias por todos os gostos e sabores? Pois bem, Lost brinca de universo, e ja me conformo com a idéia de que a ilha já estava lá antes de que alguém pudesse dar explicações. Ela está lá como o nosso planeta está aqui, e a misteriosa e poderosa luz deve ficar como sendo o Big Bang desse mini universo chamado Lost, sobre a qual restarão milhares de teorias e nenhuma certeza. A origem da vida? O coração do planeta? O ovo do qual brotou a Terra? Acho que nunca saberemos.


A partir de agora, Lost pode, e provavelmente vai, responder a algumas dúvidas sobre esse espaço de tempo que restou entre o nascimento dos brothers e a queda do avião. Ou então pode flertar com algum outro momento antes dessa zeladora. Mas como ela mesma adiantou, é só uma resposta que leva a outra pergunta. Ou seja, antes dela, havia outra história parecida, sem que alguém saiba como isso tudo começou. E no fim, para fechar a caixa, devemos ter o destino final dos nossos heróis da Oceanic. Bom, eles podem fechar esse cliclo, e Jack pode desvendar e "consertar" essa função toda, ou simplesmente saem do circuito para que outros zeladores continuem o que não sabemos como começou. E essas últimas perguntas estão prestes a serem respondidas, logo mais, logo ali...

Importante mesmo, é a ilha. O resto, só está de passagem. Talvez um recado de que o importante mesmo, é o Planeta Terra, porque nós, só estamos de passagem...


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lost, na paralela.


Reta final. E o maior mistério que me persegue no mundo Lost hoje é: O medo de se decepcionar com o gran finale é maior do que a falta que Lost fará? E até essa dúvida está perto, muito perto de terminar. E tenho gostado do rumo que as coisas andam tomando lá pela ilha. Mas o que eu menos gosto é mesmo o mundo paralelo. Meu negócio em Lost sempre foi a ilha, e no geral, o que acontece fora dela não me prende, nem mesmo quando tudo começa a convergir, e todos losties começam a achar estranho que o número de pessoas do vôo 815 que acaba entrando na vida delas...

Vem se aproximando o dia em que os losties se reunirão lá no mundinho paralelo, e aí só J.J. sabe no que vai dar. O tempo paralelo é pós ilha, isso é fato, porque as memórias da ilha estão sempre voltando. Mas se é pós, e estão todos candidatos lá, quem ficou de porteiro do new Locke? Porque o mundo ainda é mundo, portanto o fumaça negra ainda está preso. E agora Jack? Quem poderá nos defender? Enquanto isso, lá na ilha, o new Locke já revela o seu plano: Fazer com que os "candidatos"se auto-explodam, porque neles a fumaça negra não funciona. É só isso que ele precisa para ficar livre da sua prisão, a ilha. E Jack já se deu conta, e aposto várias moedinhas que é mesmo Jack o substituto. E mais. Vou lá longe no risco, e vou anotar aqui para comprovar depois, a cena final da série em que ursos polares caçam em selvas tropicais: Jack, e new Locke, reproduzindo a cena, e o diálogo que deixou todo mundo de boca aberta, entre Jacob e anti-Jacob na sua primeira aparição, olhando calmamente o mar, e talvez até com um novo navio chegando na ilha... Ou um novo avião caindo?

Eu vou achar uma maneira de matar você...


E Jack, que não é tão calmo quanto Jacob, vai continuar trazendo humanos para visitar a ilha, provocando o new Locke em sua jaula natural? Jack vai continuar tentando arrumar tudo? Poucas dúvidas restam, e eu acabei descobrindo, depois de passar esse tempo todo achando que eram mistérios demais, que o interessante e segredo de Lost mesmo era um novo mistério a cada dia!

Então, já contando os dias para a series finale, só podemos ficar arregaladinhos, esperando o momento L, talvez olhando calmamente o mar, talvez observando um avião caindo...

Vamos artigolar teorias?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dexter


Já fazia algum tempo, na verdade muito, que o pessoal que curte seriado me indicava Dexter, com bastante frequência e intensidade. Por um motivo ou outro, eu vinha negligenciando essa indicação e adiando minha jornada pelo mundo vermelho de Dexter, até poucos dias atrás. Mas eu comecei. Assisti e caí na armadilha desse seriado que consegue colocar de um forma leve a vida de um serial killer com um número bastante significativo de "feitos".

Dexter é um seriado denso, complexo, e com uma receita de muito sucesso para dosar o peso de um serial killer que faz picadinho de suas vítimas sem parecer (e ser) um seriado "forte". É absolutamente surpreendente como Dexter com todo seu peso consegue ser tão leve. A primeira vez que ouvi falar, ou que li a respeito, imaginei um seriado forte, daqueles que requerem um tempo para a "digestão mental" do episódio, e é exatamente aí que reside a agradável surpresa de dexter.

Na verdade, agradável é exatamente a palavra que descreve o serial killer Dexter, um complexo jovem que se julga vazio e sem sentimentos. Se julga. Filho adotivo de um investigador da homicídios, Dexter é reconhecido em sua essência por seu novo pai Harry, e treinado para não ser pego. É direcionado, é um serial que usa sua necessidade de matar como um supervisor da justiça. Onde ela não alcança, ele entra. Um justiceiro requintado, técnico, frio. O pai, falecido, é chamado sempre na memória de Dexter, que trabalha como especialista em cenas do crime onde o sangue da vítima pode levar à suspeitas e resoluções de casos. No mesmo departamento trabalha Deb, sua irmã adotiva, uma esperta e insegura jovem inibida pelo talento do irmão e a ligação de Dexter com o pai. Na verdade, essa ligação era o próprio treinamento de Dexter. Treinamento em sobrevivência, uma aula de como ser um serial killer sem acabar na cadeira elétrica, onde a regra número era não ser capturado.

A vida na homicídios é bem agitada, e alguns personagens como Angel (esq.) denotam um certo tom de descontração e "passion" para os episódios, assim como Masuka (abaixo). Os personagens principais do departamento são também ricos, com histórias de vida interessantes, e os que não tem uma história interessante, levam as pitadas de humor ao dia-a-dia do seriado. Dexter é uma bela surpresa para quem procura medidas certas de algo mais, um prato extremamente bem temperado e atrativo já no primeiro episódio, mesmo que só comece a mostrar a complexidade de sua história mais adiante, no final da primeira temporada.


E a primeira temporada traz uma interessante e surpreendente (mesmo) competição entre killers. Dexter enfrenta e investiga um outro serial, ao qual ao mesmo tempo que admira quer eliminar. Um dos melhores elementos é que Dexter acaba virando a referência do serial, toda a comunicação é direcionada e feita especialmente para o nosso anti-herói. Durante toda a trama as histórias individuais são contadas na dose certa, enquanto vamos conhecendo os pensamentos e modos de Dexter viver sempre com a ajuda do "código de Harry", o conjunto de regras que seu pai adotivo criou para manter Dexter longe da cadeira elétrica e escolhendo apenas vítimas que mereçam ser executadas.

E sim, seriais killers também amam. Ou quase. Ou amam de verdade? A primeira temporada flerta também com a questão da capacidade de um assassino frio e sem remorso amar e se ligar às pessoas. Mas é ainda um flerte leve, de longe, sem a profundidade que a segunda temporada acaba revelando... A primeira temporada termina de forma surpreendente, usando a própria história do nosso anti-herói, em um ritmo quase frenético, em overdoses de surpresas que mesmo em excesso não pecam. É uma história sólida e bem construída, muito diferente do ambiente que transformou o garoto Dexter em um artista da morte. A primeira temporada trata principalmente disso, como Dexter foi construído. Ou desconstruído?


Na segunda temporada o flerte com os sentimentos de Dexter são postos todos a prova, e toda a trama brinca com seu futuro de forma mais efetiva, trazendo novos elementos e mostrando a obra que antes ficava apenas na sombra do oceano. Agora sim são testadas outras capacidades de Dexter, como o de compreender tudo o que foi responsável pelo que ele é, e o que ele pode fazer a respeito disso. Os sentimentos são provocados até chegarmos a conclusão que um assassino frio e calculista também ama. Ou não? A abordagem da segunda temporada é mais profunda que a aventura da caçada de gato e rato da primeira, mas de muita ação e reviravoltas. E assim como na primeira, outros perigosos personagens podem tentar fazer concorrência com nosso anti-herói denso, complexo e silencioso. Dexter experimenta fases e sensações diferentes, toma decisões inéditas, vai e volta, e deixa a temporada cheia de expectativas e sustos. E dizem que as próximas temporadas são ainda melhores...

Entre sem muito barulho, e bem vindo ao mundo reflexivo de Dexter...





quinta-feira, 15 de abril de 2010

A constante de Lost

Aviso: A Artigolândia acompanha Lost pelos lançamentos americanos, portanto, há spoilers para quem não acompanha em tempo real.

Quem poderia imaginar, lá nos tempos da escotilha, a importância que Desmond esconde na trama de Lost. Desmond tinha tudo para ser mais um personagem de transição, contando sua história e saindo de cena no momento explosão da escotilha. Mas não. Há muito mais sob responsabilidade do "brotha" do que se poderia imaginar até então.

Já nos episódios em que Lost entrou perigosamente no ramo de viagens no tempo, Desmond já havia figurado como uma constante, alguém que pode estar cá e lá e sobreviver. Essa foi uma breve dica da importância que o personagem poderia ter. E para quem achou que Lost já havia se arriscado com viagens no tempo, veio então mais uma surpresa, e o seriado também abriu negócios no ramo de universos paralelos, quase um modo Fringe de ser. Mais uma vez, Desmond desponta como a grande constante, o personagem que consegue estar lá e cá, e que pode contribuir mais uma vez para que esse "looping" seja resolvido. Ou terá o anti-Jack, men in black ou Lock bad version conseguido eliminar essa constante com um mergulho no posso profundo?

Poderá a realidade paralela ser uma espécie de segunda chance para os personagens? Será que teremos mais um vôo para a nossa querida ilha? E conseguirá a nossa constante fazer com que os "candidatos" a Jacob recuperem a consciência de que aquele não é propriamente o seu verdadeiro lugar? São muitas dúvidas para os episódios que vem a seguir, sem comentar o flerte com o que é realmente a ilha, informação que Richard já recebeu de Jacob, e que infelizmente não quis nos contar! E quanto a Hurley, sim, ele realmente merecia ser ouvido. Desde o início do seriado, ele era o que sabia de tudo, mas não fazia valer sua opinião. Foi o grande amigo e grande acompanhante de todos e de suas ordens. Agora, com a rédeas da trama na mão, quem manda é Hurley. Pelo menos nesse ato.

Tão perto do fim, já com a configuração praticamente confirmada de que Lost sempre foi sobre a eterna briga entre o bem e o mau, a ilha ruma para ser a prisão de uma espécie de "caixa de pandora", o anti-Jacob. E na verdade, o tão importante Jacob pode ser apenas o guarda Belo, aquele, que fica controlando a prisão...

Será?


Promo, Epi 6x13.





A Artigolândia no BBB agora acompanha o Aprendiz 7, clique na imagem:

domingo, 28 de março de 2010

Genial, Bial.


Muitos anos atrás, chegou ao Brasil um modelo de programa de televisão que prometia. Prometia sucesso absoluto, no país que melhor faz novelas no mundo. Isso pela paixão que o Brasil devota às suas novelas, à sua audiência, e pelo fato de remeter a uma certa cumplicidade entre as novelas de ficção e um novo modelo, a novela da vida "real". Mas assim como as novelas, o reality show já chegava com um rótulo anunciado. Rótulo de programa sem cultura, rótulo de besteirol que nada acrescenta ao povo. Enfim, trucidado e desprezado pelos intelectuais do nosso país. Apesar das críticas, como era de se esperar, os realitys chegaram e venceram. São mania nacional e motivo de guerra entre emissoras, mas o melhor, mais bem produzido é e sempre foi o Big Brother Brasil. E um dos motivos que tornam o BBB tão especial frente aos demais realitys que circulam em várias emissoras pelo Brasil é seu apresentador. Pedro Bial, um jornalista respeitável, de carreira absolutamente impecável, topou esse desafio e se tornou a face desse programa.

Durante 3 meses, Bial não só apresenta, como também de certa forma orquestra, aponta e apara, conta e desconta, Bial toma conta da casa mais vigiada do Brasil. Eu sou, e sempre fui espectador assumido do BBB, e perdi apenas uma das 10 edições realizadas até hoje. Por ironia do destino, perdi a mais temperada, como dizem, a 8. Mas neste ano resolvi ousar. Transferi meu vício que ia e vinha de escrever em blog para o Big Brother Brasil, e por lá estive nos últimos 3 meses. Isso me custou bem mais do que previ, mas me retornou muito mais do que imaginei. Escrever, mesmo que despretensiosamente sobre um tema de tanto apelo popular multiplicou por 100 o número de leitores. Trouxe amigos, trouxe elogios e críticas, mas principalmente, relembrou o que a gente muitas vezes esquece: A repercussão dos nossos atos. Quando se escreve para um público 100 vezes maior, é preciso saber das consequências disso, e estar pronto para ser julgado por cada palavra escrita.


Então imaginem agora quem teve a coragem de entrar na casa do BBB. Imaginem cada palavra dita, repercutida em TV aberta, gravada, transmitida ao vivo, sem interrupções e praticamente sem cortes em PPV. Cada besteira falada, cada desconhecimento mal colocado terminando em jornais, em mídia virtual. Tudo repercute, tudo gera polêmica, amplificado por um programa cujo objetivo é justamente alavancar audiência baseado em polêmica. Neste último sábado, Bial, o regente do Big Brother Brasil precisou lembrar a toda a gigantesca audiência deste programa, e a todas às torcidas envolvidas, muitas vezes fanáticas e organizadas, que BBB é entretenimento, que é um programa que altera o retrato de cada um, que é um programa que transforma o participante em caricatura. Tal foi a repercussão do duelo central do programa, travado entre os protagnonistas e entendido aqui fora como uma guerra entre homossexuais e heterossexuais, que Bial precisou intervir. Encerrado o duelo, Bial pediu aos participantes que se cumprimentassem como guerreiros pós combate, trazendo de volta para a relidade tudo que foi turbinado e amplificado pelas mídias Brasil afora. Em discurso emocionante, Bial deu contorno de caricatura às impressionantes repercussões que o programa originou. Em poucas mas emocionantes palavras, Bial tentou retirar, ou diminuir a histeria coletiva das repercussões amplificadas, foi genial, Bial.


E nesta interessante experiência de "blogar" BBB, eu entendi e lembrei do que sempre acabamos esquecendo: A força do que falamos, a força de como agimos, e a repercussão de cada movimento de nossas vidas. O universo deles, BBBs, enquanto no ar é o Brasil, nesta edição este universo chegou até mesmo a sair do Brasil, mas e na nossa vida, qual é o nosso universo? O quanto podemos repercutir? Nós, cidadãos comuns deste Brasil, não temos repercussão em nível nacional. Mas temos nossa vida e nosso universo pessoal. E nele, e para ele, tudo o que falamos e fazemos tem a mesma dimensão do Brasil para um BBB. Mas eles, contam com Bial. Nós, só temos nós mesmos, para percebermos como repercute tudo o que fazemos...



segunda-feira, 8 de março de 2010

And the Oscar goes to...


Quando somos os melhores, também podemos ter sido os piores.

 Neste domingo, em meio ao alvoroço gerado pelo polêmico BBB colorido, pesquei de cantinho a cerimônia do Oscar, o prêmio máximo do cinema mundial. Como sempre uma festa fantástica, com toda pompa e circunstância que seu mercado representa e fatura. Evento lindo de se acompanhar, grandes filmes, super-produções, o maior faturamento da história do cinema, enfim, um festa grandiosa. Mas deixando um pouco de lado a questão dos melhores filmes, e o sempre presente embate entre grandes produções populares versus filmes técnicos e elaborados, me chamou atenção uma personagem de grande peso no cinema: Sandra Bullock.

Sempre fui um dos grandes admiradores da Miss Simpatia, essa fantástica atriz que foi o pivô de um fato tão curioso quanto corriqueiro e lógico nesta semana. Antes da cerimônia do Oscar, Sandra Bullock foi premiada com a Framboesa de Ouro, o anti-Oscar, por sua interpretação na comédia romântica Maluca Paixão."Esse anti-prêmio foi dedicado a "pior atriz do ano", Sandra Bullock. Então vem o Oscar, e confere a Sandra o prêmio de "melhor atriz do ano", por sua atuação em Um Sonho Possível. Um paradoxo que é facilmente explicado, afinal um trabalho é diferente do outro, tem condições de contorno diferentes, são outras pessoas, outro roteiro, outro diretor... O time envolvido nas produções pode contribuir para que a participante Sandra tenha um desempenho ruim em um filme, e excelente no outro. E claro, ela mesma precisa ajudar, e ir fazer um trabalho de menor qualidade em um, e melhor no outro. Tudo com suas milhares de influências e varições normais na vida dela e em todas as nossas. O fato simples, e facilmente explicado, porém, faz questão de nos lembrar, nesse caso de forma gritante, que por mais que sejamos os melhores, podemos ter sido também os piores. A questão absoluta da busca pela perfeição heróica que muitas vezes vimos, ou exigimos de nossas referências ou de nós mesmos, é um objeto de ficção. Uma ficção como o próprio cinema.

Se sempre buscamos o nosso melhor, é porque estamos no caminho certo. Mas isso não quer dizer que sempre seremos ou faremos o melhor. E por melhor que sejamos, sempre haverá o momento que seremos os piores, ou faremos o pior. E esse momento pode estar até mesmo unificado ao momento do melhor. Pelo simples fato de que sempre haverá um olhar aguardando que se abra a nossa própria Pandora, porque afinal de contas, nem tudo é bem, nem tudo é mau...




sexta-feira, 5 de março de 2010

Lost are Lost?


Desde o final da temporada 5, a penúltima deste impressionante seriado, as perguntas ainda não respondidas tem até perdido a importância frente ao mistério principal: De que trata afinal, Lost. É sobre fé? É sobre a velha luta entre o bem e o mal? Porque só um dos personagens atravessa o tempo sempre com a mesma aparência, mesmo sem se utilizar de viagens?

A sexta e última temporada chegou de mansinho, já com aviso dos produtores de que nem todas as perguntas serão respondidas, mas as questões principais serão sim tratadas e clareadas. Nesta semana completamos o episódio de número 6, e a temporada dá ares de seriado novo, com dificuldade de engrenar, de explicar, de impactar. O que seria a grande sacada do início da temporada, o universo paralelo já é figura carimbada no momento dos seriado maníacos com Fringe, que brinca muito melhor com isso do que tenta brincar Lost. É mais um flerte perigoso, depois da viagem no tempo. Já começo a temer pelo final da série, fazem muitos anos desde a grande decepção de Arquivo X, e os lost maníacos não merecem uma surpresa desse nível.

A história principal da trama caminha rapidamente para a velha guerra do bem contra o mal, representada por Jacob, e pelo anti-Jacob, o homem de preto que hoje veste o corpo de Locke. Mas caminha ainda de forma tortuosa, respondendo apenas que todos os nossos personagens foram escolhidos por Jacob, alguns recrutados em troca de favores, seriam escolhidos, candidatos, msa não se sabe do que, para que. Neste momento da trama Jacob está em desvantagem contra seu anti, que outrora aprisionado, agora domina  a ilha e recruta aliados.
 
Jack conseguiu reverter a queda do avião, mas isso não evitou que eles estivessem na ilha. O incidente provocado pela explosão nuclear criou uma relaidade paralela em que a vida de todos segue normalmente em Los Angeles, uma realidade chata que recheia os episódios de tempo perdido. Se Lost se perdeu, ainda não é possível saber. Mas a sexta temporada parece ter feito o mesmo que nossos personagens: Caminha lentamente em um universo paralelo ao que foi o seriado e toda sua riqueza. Spoilers dão dicas que teremos mais notícias do início desse duelo entre Jacob e seu anti, em tempos anteriores a Cristo. No momento, é o que resta para os próximos episódios de Lost, nos explicar a origem do duelo, e qual a necessidade de candidatos e escolhidos. Pouco, muito pouco para uma série que começou com ursos polares e monstros de fumaça em uma ilha tropical cheia de escotilhas e mistérios. Lost are Lost?


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Expectativa.

Qual será o poder dessa simples palavra? O que uma expectativa pode gerar? Os que acompanham o polêmico BBB da Globo, devem estar se perguntando porque, afinal, aquela menina do twitter acabou massacrada em um votação de pura rejeição, onde os demais participantes foram apenas coadjuvantes? Ela não chegou a fazer nada demais, mas era tão odiada nas mídias que o próprio apresentador, o experiente Bial, não conseguiu entender a votação. Bial precisou recorrer a opiniões de internautas para poder explicar, o que na minha opinião, se pudesse ser resumido a uma palavra, essa seria: Expectativa.

A maneira mais eficiente que qualquer pessoa tem de se decepcionar, seja com uma pessoa, ou um situação qualquer, é criar um super expectativa. Se uma empresa contrata um executivo apostando todas as suas fichas nele, espera que ele resolva todos os seus problemas, a maior chance é que esse cara decepcione. Porque a expectativa nele foi muito alta. Se compramos alguma coisa, qualquer coisa, com alta expectativa, é maior a chance de nos desapontarmos do que de nos surpreendermos positivamente. Vem daí o batido jargão dos marketeiros: "O produto precisa superar a expectativa do cliente". Lógico, porque se tentar apenas atendê-la, vem a decepção e estraga tudo.

Então aquela menina do twitter chega ao BBB com uma responsabilidade monstruosa. Ela tem mais de 100 mil seguidores, é conhecida, tem mídia, em teoria tem um brutal torcida consolidada. Então ela devia comandar o espetáculo no BBB. E é aí que o perigo se consolida e vira fato. Quando ela se revela mais uma jogadora procurando espaço, inteligente, mas sem roubar a cena para ela, a torcida vira. Ora, ela é que devia representar a sua torcida, ela é que devia dar espetáculo. Isso não acontece, e a expectativa a transforma na piada da vez. Seu nome vira artefato para toda e qualquer frase feita. A expectativa frustrada vira piada, depois indignação, depois ódio. É claro, e que realmente fique bem claro, que o fato BBB é aqui citado de uma forma muita simplista, para chegar ao ponto final, a expectativa. É lógico que muitos outros fatores contribuiram para a menina do BBB levar 24 milhões de votos de rejeição. Mas nã tenho dúvidas que um dos principais fatores foi a expectativa frustrada, de tudo o que ela poderia, ou deveria (na visão de quem criou a expectativa) fazer lá dentro. Posso dizer isso, porque também eu, que acompanho e comento BBB, criei essa expectativa. E fui frustrado por um jogo tímido, e passei a torcer contra. Não com tanto fervor como se vê por aí mesmo após sua saída, mas cada um tem a sua reação. Ainda mais quando se fala de algo tão poderoso... Tão poderoso quanto criar expectativa...





segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Tribos & Tribos


Já faz algum tempo que eu compro um pacote de críticas. Sim. Tem compras que fizemos que traz, invariavelmente um pacote de "mas porque? Está maluco? Porque isso?" Um desses pacotes, que eu compro volta e meia é o BBB. Não acompanhei todos. Devo ter visto de fato, umas 4 edições. Incluindo a 9, onde acompanhei bastante. E agora acompanho a 10, e seu pacote de críticas.

Na 9, o que me prendeu foi o balanço do barco. Se considerarmos uma casa isolada com um grupo de pessoas como uma ilha, ela fica interessante em algumas edições. Depois, se tornou repetitiva e chata. Jogar, não jogar... Os "brothers"foram entendendo o jogo. Então a Globo, com seu diretor que é várias coisas, mas não bobo, passou a casa para um barco. Mudou a ilha isolada, mas estática, par um barco. E barcos são sujeitos a ondas e balanços das marés. Porque digo isso? Simples. Uma ilha está parada, e sujeita ao comportamento apenas das pessoas que lá estão. E assim foram várias edições do BBB, e por isso algumas delas foram ficando chatas e mornas. Então o Boninho passou a ilha BBB para barco um barco, porque assim ele pode agitar tudo. Se está tranquilo, a produção vai lá e balança. Sacode, provoca, priva de sono, cria conflitos, planta sementes de discórdia, e assim torna a ficar interessante como no início onde a fórmula era novidade.

Nos primeiros BBBs, "jogar" era feio. Massumi derrubou isso, em uma das edições que assisti e gostei. Agora a moda é jogar bonito, desde que com "lealdade." Sei. No BBB 9, Boninho dividiu a casa em 2, deu certo, parcialmente. Um lado, o B, de BBB, entendeu o jogo e seu uniu. Dizimou o lado dos panacas do A, que se engalfinhavam entre eles. No 10, Boninho foi ainda mais adiante, e dividiu a casa em 5 tribos. Bem distintas, que são: Sarados, Belos, Coloridos (GLS), Cabeças (sei) e Ligados (são os que não entraram em nenhuma outra). Mas como no 9, nem todos entenderam que o grupo precisa se proteger para sobreviver, e as tribos não se mantiveram unidas. Porque foram pré-escolhidas. Não se uniram por afinidade, foram unidas por serem mais características de uma tribo específica. Salvo os coloridos, que fazem isso sem anunciar., os outros grupos não se unirem, como o lado B. O interessante é que as tribos deveriam funcionar, mas não funcionaram. As pessoas simplesmente não fecham com quem deveriam fechar, e é isso que torna esse circo interessante. As tribos não funcionaram.

Mais interessante ainda, é o grupo (extremamente fraco, perto de outras edições) não reconhecer o óbvio, e ainda jogar errado. O jogo é sobre tribos conviverem, e eles não conseguem. Simplesmente elegeram um deles (Dourado, ex-BBB, lutador bruto sem polimento) e caçam ele sem trégua, além de lecionar infinitas aulas de como ele deveria ser., como ele deveria se portar e tudo mais. Observem, no BBB sobre convivência em tribo, os caras querem ensinar como alguém deve ser. É a mais monstruosa das contradições. Aí alguém diz lá: Sim, esperava o que do BBB. Pois é. Realmente, esperava mais. Mas afinal, espera-se muito do povo brasileiro, e as coisas não saem como deveriam. O BBB é sim um mini observatório do Brasil. Muitas tribos, pseudo respeito, total intolerância, e muita, mas muita mesma hipocrisia. E adivinhem quem são os mais preconceituosos? Há! Justamente quem passou a vida lutando contra o pré-conceito! Os coloridos!

Tribos? Aham, desde que longe uma de outra...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lost, independente de Obama.

Quase perdidos, de novo.
Finalmente a contagem regressiva está prestes a terminar, e Lost voltará as telas para o tão esperado final. O seriado mais complexo que já acompanhei chega ao momento de responder a todas as perguntas, espera-se, e nada pode atrapalhar. Nem mesmo o todo poderoso presidente americano ousa mexer nessa data. O presidente americano faria o pronunciamento anual de metas no dia da estréia da derradeira temporada, alertado por um repórter sobre o conflito de datas, a reação da Casa Branca foi rápida, o porta voz Robert Gibbs fez a seguinte declaração:

“Eu não vejo a possibilidade de um cenário onde milhões de pessoas que esperam pela temporada final de Lost sejam contrariadas pelo presidente. Seria um grande problema para a ABC, portanto o discurso será adiado.”

Por essa nem eu, lost maníaco assumido, esperava! Após essa declaração a Casa Branca remarcou a data do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, e tudo em respeito à John Locke e sua tribo! Tal qual o governo americano, com seus departamentos ocultos, seus agentes tão secretos que provavelmente nem eles mais controlem, Lost deve nos presentear nos próximos dias com as tão esperadas respostas das perguntas que iniciaram anos atrás.

Se já sabemos porque haviam ursos polares em uma ilha tropical, ainda esperamos saber do que, ou de quem se trata o lostzila de fumaça. Se agora conhecemos o misterioso Jacob, se sabemos que ele existe, ainda falta saber quem era seu lado negro. E talvez, e é nisso que eu aposto, Lost seja tal qual a natureza, de uma simplicidade tão complexa que pode ser entendida. Compreendida, mas não recriada. Eu sigo na aposta que Lost nos conta a velha guerra do bem contra o mal. Desde o início foi essa a mensagem, assim como desde o início do mundo foi assim que vivemos. Vejo Lost como um mini-mundo, uma simulação onde pessoas simples somadas com pessoas complexas, em um mundo onde as regras não tem muito valor, onde as leis são relativas, e onde as dúvidas sempre são mais numerosas que as respostas. E se Lost está perto, muito perto de ser compreendido definitivamente, nós, seres humanos, parecemos estar cada vez mais longe de entender a razão de tudo. E talvez Lost nos mande a mensagem. Talvez. Apenas talvez. Mas mesmo assim, poucos entederão, como poucos entendem o que acontece hoje... Porque a maioria das pessoas do nosso grande mundo, com seriado ou sem seriado, seguem Lost...


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

2012

Então, que Nós da Terra agora estamos todos preocupados. Após anos, décadas de avisos e mais avisos que ficaram no vazio, agora resolvemos nos preocupar. E é tudo culpa do cinema. Esse cinema... Caramba, esse cinema é fogo! Resolveu colocar pânico no mundo todo. Filme após filme, o cinema vem plantando o terror na população. Seja com "ficção", seja com documentários de previsões de Nostradamus, ou com o calendário Inca, ou com a posição das pirâmides do Egito... E não é que todos dizem a mesma coisa? E aí vem o cinema, e pronto. Planta o medo.

E os piadistas vão a farra. Tiram onda dos "profetas do apocalipse", dizem que não pagarão mais dívidas por que o mundo vai acabar... E 2012 é prato cheio para todo mundo. Veículos de comunicação, programas de humor, tudo é notícia e assunto. É o tema da moda. Mas nosso cinema, apesar de colocar o terror em todo mundo, até que fez a lição de casa. 2012, o filme, é bastante fiel às previsões que andam soltas por aí já a bastante tempo. Bastante mesmo, não aninhos ou décadas. Bastante mesmo. E veio o mar, e veio vulcão, e tremeu tudo e afundou quase tudo. Nem os monges tibetanos escaparam, todo mundo engoliu sal. Ou terra. Ou nem nada viu. Mas o cinema fez a lição de casa. Não inventou. Seguiu a receita. Não aniquilou o mundo, nem foi bonzinho demais. Sobrou o que sobrou, o que era possível sobrar, e que se reconstrua tudo depois que a turma que escapou puder sair da Arca de Noé Volume II. Mais um pouco poderíamos creditar à Nostradamus o roteiro do filme 2012.
As imagens são fascinantes, impactantes, assustadoras e rigorosamente previsíveis dentro do nosso quadro. Quadro? É, nosso quadro de aquecimento global. Ih, lá vem outro profeta do apocalipse. É. É prato cheio para os piadistas. Curiosamente, no dia que fui assistir a esse grande enlatado americano, a Capitolândia vivia uma noite quase rotineira nos últimos tempos. Se formava uma tempestade daquelas meio imprevisíveis, onde talvez metade do país apague, talvez metade das grandes cidades não possam usar carros para andar nas ruas, ou então, uma chuva de árvores ameaça os carros novos comprados com redução do IPI este ano. Por sorte naquela noite nem choveu mais de 50mm, mas o arroio que separa minha casa do cinema estava com água pelo ombro. Não chegou no pescoço, mas já estava no ombro.

Aí, que no outro dia fui trabalhar, era um dia bonito e quente. Mas assim, um quente meio estranho, do tipo sensação térmica de 40 graus, estranho para essa época do ano aqui na Capitolândia. E o meio dia virou meia noite. Tudo escuro, árvores voando, o fundamental ar condicionado deixando de funcionar (eles precisam inventar algum que não precise de energia elétrica...), o trânsito daquele jeito, né. Deu saudade. Deu saudade do tempo em que eu ia para o cinema ver esse tipo de filme apocalíptico e só lembrava dele na mesa do almoço, quando quem viu abria a sessão comentários de cinema. Agora não mais. Agora eu vi o filme, e lembrei dele quando ia para casa, em meio ao temporal que se ocorresse só as vezes seria normal, mas como aqui já é semanal... E lembrei dele também no outro dia, e não na mesa do almoço com o pessoal, lembrei quando as nuvens fecharam o meio dia, também com ocorrência já semanal... E aí que já me imaginei correndo em direção ao sino. O sino, aquele do monge tibetano que toca de colina em colina, alertando à todos o que de nada adianta ser alertado. Até porque, né... O alerta já vem de tanto tempo, e não foi ouvido. Porque então teria algum sentido ele ser ouvido agora? Para quem já viu o filme, o negócio é mesmo ir guardando 1 bilhão de euros, certo? Para quem não viu, ou acha um pouco complicado conseguir 1 bilhão de euros, pode começar a pedir carona em direção às montanhas chinesas...








Ah, esqueci de comentar. Destas imagens aqui publicadas, 3 delas não foram retiradas do filme 2012. Foram retiradas do filme da nossa vida. São reais, aconteceram, e como vocês mesmo podem concluir, em nada deixam devendo ao cinema.

Esse cinema né, fica botando terror nas pessoas, tsc, tsc, tsc...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

FlashForward

2:17

Imaginem se o mundo inteiro apagasse. Todas as pessoas deste planeta desacordadas por exatos 2 minutos e 17 segundos. Aviões caindo, carros batendo, tudo, absolutamente tudo parado por 2 minutos e 17 segundos. Ao acordar, cada pessoa teria visto seu futuro, 6 meses adiante, pelos 2 minutos e 17 segundos.

Quais as possibilidades para o desfecho desse evento? E nem estou falando a nível mundial. Para cada pessoa. Imagine você vivendo esse fato. E na visão, nada. Apenas a escuridão... Estava dormindo? Ou... Imagine você se vendo ao lado de outra pessoa, que não é seu par... Imagine se a sua visão mostra alguém que você já perdeu, como seria? É claro que a dúvida de se realmente é futuro o que foi visto acontece, mas e se ela vai sendo derrubada por pequenas partes da visão que vão se confirmando? Você viveria sua vida como ela seria levada normalmente, ou a visão vai influenciar diretamente suas decisões? E se a visão mudar tudo, influenciar tudo e gerar um novo futuro? Um dos melhores filmes que já vi abordam com maestria essa questão, Efeito Borboleta.

Quando os visões começam a se complementar, alguém que você viu viu o mesmo que você, as suspeitas de que essa verdade relativa se confirmará vão ganhando força, ao mesmo tempo que direcionam as decisões para que isso aconteça. Neste seriado que começa prometendo muito, até por entrar no horário de Lost, é exatamente isso que acontece. E já no terceiro episódio, sabe-se que isso foi artificialmente provocado. Não teve uma causa natural. Então, possivelmente alguém manipulou isso. Então, alguém manipulou as visões para manipular o futuro. E se as pessoas influenciam suas decisões por acreditar que o inevitável irá acontecer, estamos frente a frente com a perda da maior responsabilidade do ser humano: O livre arbítrio.

Assim como os últimos grandes seriados da atualidade, Flashforward aborda por trás da ação toda, um tema extremamente forte, que na verdade enfrentamos todos os dias, mesmo sem saber. Ou alguém pensa que não somos testados todos os dias por esse tipo de jogo?


Então, o que você viu?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A onda.

Autocracia.

Palavra mãe dos regimes totalitários, autocracia literalmente significa governo por si próprio. Se traduz em um governo absoluto com poder ilimitado, e nem as monarquias chegam a esse estágio. Vamos reconhecer autocracia nos governos de Hitler e Stalin. Também Ivan, o terrível era um autocrata, inspirado no Império Bizantino.

Em uma aula sobre autocracia, o professor Wenger acaba criando uma discussão na turma sobre a possibilidade de o país (no caso a Alemanha) viver novamente uma situação como viveu com Hitler. Resolve então propor uma experiência de uma semana, duração do curso, onde a turma viveria no regime autocrático. Essa é a idéia do interessante filme A onda.

O filme é uma refilmagem de outra produção de mesmo nome de 1981, e uma adaptação do livro de Todd Strasser, baseado num acontecimento que ocorreu num colégio de Ensino Médio norte-americano em 1967. Na época, o professor de história William Ron Jones simulou um regime totalitário fascista, fundamentado em Força pela disciplina, força pela comunidade, força pela ação, força pelo orgulho. Assim como na nova leitura do cinema, os alunos acabaram levando a experiência a sério e um deles perdeu uma das mãos ao lidar com explosivos. Jones foi demitido, enquanto Wenger, no filme, enfrentará questões maiores...

Assim como aconteceu na Alemanha de Hitler (que vivia em crise econômica e em situação difícil após a derrota na 1° Guerra), os alunos foram envolvidos pela liderança focada em disciplina, na força do coletivo e orgulho. Alguns mais, outros menos. Vários alunos acabam obcecados pela "Onda", e o fanatismo acaba traduzido em atos de vandalismo e repressão aos que não aderiram a turma. É claro que os alunos com algum problema em casa, mais desmotivados ou infelizes acabam se engajando com mais afinco no projeto, assumindo isso como objetivo de vida. O professor desmancha as pequenas turmas do grupo, une alunos mais fortes com mais fracos equilibrando e homogeneizando o grupo anulando o individualismo. A Onda criou adesivos, pichou seu logo pela cidade, criou home page, saudação, tudo criado pelos próprios alunos.

Tudo acontece apenas durante a semana do curso, é fica bastante evidente o poder que as palavras podem exercer sobre uma pessoa. Inclusive abrindo mão de suas opiniões pessoais para participar de forma efetiva do grupo. Para pertencer ao grupo e participar do poder que ele representa. O fato de o filme ter sido baseado no acontecimento de 1967 é mais um indicativo de que A Onda não é apenas um objeto de ficção. O ser humano está sim permanentemente vulnerável a esse modelo de alienação, é claro que não nessas proporções. Mas quem ainda não viu um amigo mudar totalmente de comportamento para se adequar a turminha da moda? A gravidade não é a mesma, porém princípio é sim a mesma coisa.

Logo os simpatizantes começaram a aparecer, a Onda promoveu festas e quem ficava contra o movimento ou simplesmente não participava era excluído. É claro que todos acabavam tendo alguma vantagem pela força do conjunto, e isso dava ainda mais força ao movimento. Então chegou o momento em que os excessos promovidos pelo grupo começaram a repercutir mais forte, e o professor se deu conta que o projeto já tinha ido longe demais. Convoca então uma reunião, onde mostra a todos... (não, não vou contar o final do filme, afinal de contas, a Artigolândia não é uma autocracia!).

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Seriado, o vício legal.

Sou viciado. Sou réu confesso nesse processo. Conheço poucos, muito poucos que acompanham tantos seriados como eu. De alguma forma isso me credita para comentar, indicar ou contra-indicar esse viciante passatempo. Não que eu tenha muito tempo disponível, porque ninguém tem. Mas vício é vício, e a gente acaba encontrando uma forma de alimentar eles. Mesmo que a noite de sono acabe reduzida, o que interessa, é o vício.

Claro que nenhum vício é muito bom, caso contrário teria outro nome. Mas entre todos os que tem por aí... Diria que ser viciado em seriados é um sonho de consumo para milhares de pessoas. E o que, afinal de contas, os torna tão interessantes? Qual a magia desse formato que consegue desvirtuar amantes inveterados das salas de cinema, ou mesmo deixar babando ao redor da TV quem nem mesmo tinha esse hábito? Seria a sequência? A inteligência? A oportunidade de desenvolver o tema com mais calma, mais artifícios do que um filme? Uma pergunta interessante que se tem após entrar para o seleto time dos viciados em seriado é: Como um filme consegue se desenvolver em tão pouco tempo???? Alguém consegue imaginar uma versão de Lost para o cinema? O fenômeno Arquivo X tentou. Chega a ser censurável comentar o resultado dos filmes.

Saber porque um seriado atrai tantos seguidores segue sendo um festival de fogos de artifício: Um para cada lado, com cores e explosões diferentes. Os estúdios devem saber. Nós, pobres viciados, seguimos apenas usando sem moderação, explicação ou entendimento lógico. Amamos e pronto. Pelo menos agora temos um dado sobre nosso vício, uma pesquisa sobre quem vicia mais!

Pois bem, a pesquisa elaborada pelo site Lovefilm.com apontou os programas televisivos que mais causaram dependência nos telespectadores americanos:

1. “24 Horas” - 19%
2. “Lost” - 17%
3. “Friends” - 10%
4. “Heroes” - 9%
5. “The Wire” - 7%
6. “Doctor Who” - 6%
7. “CSI” - 5%
8. “Prison Break” - 4%
9. “The Sopranos” - 3%
10. “Sex and the City” - 2%


Alguma surpresa? Não para este viciado. No topo da lista o seriado que tem um formato inédito. Cada temporada é um "filme"de 24 horas corridas, horas reais, horas de pura ação. 24 horas detêm até hoje o meu recorde pessoal de episódios em um só dia: 9. Nem é tanto. Nesse quesito conheço muita gente que me supera. Mas o que nada supera mesmo é curiosidade que 24 horas deixa, desde o primeiro episódio da temporada até o último.


Seguindo a lista, o fenômeno que dispensa apresentações, Lost. Como já escrevi aqui na Artigolândia, o maior seriado de todos os tempos (me arrisco total e conscientemente a dizer isso antes do final, mesmo sabendo o risco que corro de cair na barbárie que foi o final de Arquivo X). Na cola de Lost está Friends. Com outra idéia, outro objetivo, e resultados tão fantásticos que após 5 anos fora do ar ainda é tido como o terceiro programa mais viciante. Nem vou comentar o fato de que Friends não tem necessidade (apesar de ser muito melhor) de ser visto em sequencia. Saudades da Rachel!

Heroes sim, confesso que me surpreendeu um pouco. Já começo a pensar que já entra o fator americano. Ainda mais com The Wire na sequência, apesar de que este apresenta a estrutura mais parecida com 24 horas. Faz sentido. De qualquer maneira, o vicio em seriado vai sendo transferido, de série para série. Alguns com louvor, outros nem tanto. Uns fazem rir, outros chocam. Outros assustam. Outros ainda aceleram o coração. "Os outros..."

E quem, entre os viciados todos, consegue não se emocionar revendo os 6 entregando as chaves...



Quer saber?

Eu amo meu vício!




Na onda do Reality Show

Agora é guerra. O Brasil assiste de camarote uma guerra gigantesca, declarada e já beirando o apelo entre as emissoras. E não entre as principais. Entre todas. Comprando direitos de programas internacionais, a Globo começou lá em 2000 "No Limite", primeiro reality de grande apelo popular. Não chegou no limite do sucesso, porque nosso povo se sensibilizava com o sofrimento dos participantes... Mas a onda pegou. O "Big Brother" chegou em 2002 e se tornou um dos maiores fenômenos da TV brasileira. O SBT já havia lançado "A Casa dos Artistas" em 2001, e atualmente todas emissoras têm seus realitys, bons ou ruins, em uma batalha colossal pela audiência.

Terminada a 9° edição do "BBB", e a 6° do "Aprendiz "(os dois melhores, disparado), a bola da vez é "A Fazenda" da Rede Record. Mesmo com uma produção arrastada, fraca, um apresentador horrível e participantes menos atrativos (teoricamente famosos) que os desconhecidos do "BBB", "A Fazenda" tem dado dor de cabeça aos concorrentes com a fatia de audiência que tem abocanhado. Esse formato de programa teve o efeito da garrafa PET no mundo dos refrigerantes: Possibilitou os menores concorrerem de igual para igual com os gigantes (O maior custo para uma empresa de bebidas era a garrafa), fato esse que desencadeou a guerra dos realitys. Já atordoado pelo próprio desgaste, o Fantástico tem apanhado feio da Fazenda, e a Globo já demonstra desespero total para recuperar o horário nobre do domingo. Colocou no ar um programa medíocre, mal feito, em um formato nada interessante chamado "Jogo Duro". Não colou. Agora está trazendo de volta "No limite", com o excelente Zeca Camargo.

O SBT parte para briga com "NovosÍdolos", versão do sucesso American Idol, já que a Record comprou os direitos do "Ídolos"que o SBT produziu anos atrás. Além de ter levado para sua programação o ícone Roberto Justus, aniquilando o excelente "O Aprendiz" da Record. O SBT ainda tem "Os Astros", que na verdade é baseado no antigo "Show de Calouros", mas não deixa de ser um reality. "Solitária"seria outra arma do SBT, uma espécie de versão do famoso quarto branco do BBB9, além de outros estudos que podem ser lançados em breve. A guerra já chegou a tal ponto, que a Record já admitiu usar a estratégia de "saturar" o público com realitys sucessivos para evitar o sucesso do "BBB10", que deve chegar com premiação de 10 milhões ao ganhador. Na rede já se multiplicam sites de fãs clubes e de comentaristas especializados nesse tipo de programa, indicando que o interesse do público só aumenta.

Outro fator que bate forte nessa questão é a perda de audiência da TV aberta em geral. Os canais abertos tem perdido audiência sistematicamente para TVs fechadas, por assinatura. E os realitys têm se mostrado uma ferramenta para diminuir essa perda. É evidente que esse tipo de formato tem uma rejeição grande da classe mais "intelectualizada" da população. Mas a audiência gigantesca acaba arrastando curiosos para esse time. Eu confesso que acompanho alguns, e assisto outros. O comportamento humano me fascina, e os realitys são uma amostra grátis de pesquisas comportamentais muito interessante.

Nesse baile todo, é indiscutível a superioridade do "BBB". Apesar de todas as suspeitas de direcionamento, manipulação, a produção do "BBB" é fantástica. A parte técnica é impecável. Vemos alguns problemas quanto às regras, mas essa flexibilidade também permite manter estratégias que tornam o programa mais surpreendente durante a exibição. Sem contar o apresentador, Pedro Bial que é um mestre desse formato. Na segunda posição certamente fica "O Aprendiz", ancorado basicamente na figura de Roberto Justus, com uma condução fantástica e muito bem produzido. "No Limite" também tem a qualidade que a Globo traz em suas produções, mas que não funcionou no péssimo "Jogo Duro". E "A Fazenda" tem um apelo bom, mas apesar do sucesso de audiência, o programa é arrastado, chato e muito mal apresentado.
Os do SBT confesso que não tive coragem de assistir mais do que alguns minutos, mas pelo pouco que vi, os participantes não ajudam no andamento do programa, e a audiência acaba ficando na peneira grossa.

De qualquer forma, a guerra deve continuar, provavelmente novos programas serão trazidos e o público será saturado com o formato. O Reality se tornou a grande arma das emissoras, principalmente na questão de patrocínios, pela facilidade de inserir campanhas no formato. Vamos torcer para que a qualidade também aumente, e para quem gosta de analisar comportamento humano, o prato está cheio!
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